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Quanto à arquitetura civil brasileira dos séculos XVII e XVIII – fonte de inspiração seguramente mais interessante do que os edifícios religiosos, para um arquiteto contemporâneo – ela pode ser classificada como barroca por razões de ordem cronológica, à revelia de qualquer critério estilístico, pois se opõe radicalmente a tudo aquilo que caracteriza o movimento barroco.
O que Lúcio Costa efetivamente aprecia na arquitetura civil luso-brasileira é sua simplicidade e sua pureza.

Como vimos, desde sua fase neocolonial, ele vinha se empenhando em reencontrar essas qualidades tradicionais da arquitetura portuguesa, preservada integralmente nas colônias. Mesmo depois de ter-se convertido ao racionalismo de Le Corbusier, preserva essa preocupação; o caráter perfeitamente funcional e lógico dessa arte antiga prestava-se, aliás, a uma aproximação com o movimento moderno. Mas ele foi mais longe e logo se apercebeu de que, naquela arquitetura, havia uma experiência de três séculos, da qual se poderia extrair ensinamentos, ainda hoje válidos, desde que se tomasse o cuidado de não se ater aos aspectos já superados dessa arquitetura, voltando-se para aqueles processos utilizados que pudessem interessar à técnica contemporânea.

Trecho retirado do livro: Arquitetura Contemporânea na Brasil – Yves Bruand (páginas 123 e 124).

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